quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Capítulo 5

Quarta-feira, Botafogo, Rio deJaneiro.
Tem o problema com os irmãos e tem o rolo com o André. Uma coisa está ligada a outra. Vívian pensa nisso enquanto prepara o almoço dos barões. Seus irmãos estão por aí, aprontando horrores e de vez em quando aparecem para atormentá-la. Ontem mesmo o Vítor ligou, tarde da noite, querendo uma “graninha”… Claro que ela negou. Até porque, ela não tem dinheiro suficiente prá distriuir por aí! Só falta a estressada da Valkíria aparecer também fazendo mil exigências…!
E tem o André. Ah, o André… Seu rolo com ele é muiiito enrolado mesmo!… Vívian gosta dele, já estão juntos faz um tempinho. Mas volta e meia tem um estresse entre eles. André é meio paranóico, implica com a roupa, o cabelo, os barões…! Enfim, eles brigam e depois fazem as pazes, brigam e fazem as pazes… E ficam nesse chove e não molha, sem terminar e nem definir a relação. Ele quer casar, mas ela não quer. E porque não? Vívian nem sabe direito! Essa coisa de casar na igreja, véu e grinalda, príncipe no cavalo branco, é um pouco demais prá ela!… Já passou por tanta coisa na vida, muitas decepções, muitas confusões… Namorar é uma coisa e casar, viver sob o mesmo teto, é outra! Vívian nem quer saber dessas coisas agora.
E ainda tem os seus probleminhas pessoais, né? Aqueles dilemas que quase todo mundo tem dentro de si… O que fazer da vida, como será o futuro, ter sucesso, ter dinheiro, uma carreira bacana… Vívian tem os seus. Mas agora, na hora do almoço, não dá para entrar nessa não. Os barões estão famintos! E quando os barões estão com fome, sai de baixo! Aliás, o almoço não está lá essas coisas não…
 __Cadê o almoço que não sai?- a voz estridente do barão vem lá da sala.
__Calma, meninos! Tá quase pronto! E uma delícia, hein!- ela não está muito convencida disso…!
__A campainha tá tocando! Vai atender, criatura!
Vívian corre aos pulinhos até a entrada, para atender a porta. E os dois lá, deitados no sofá, feito dois barões…! Ah, eles são barões.
__Pois não?- ela abre a porta. 
Um sujeito alto com um sorriso de comercial de creme dental nos lábios está parado na porta.
__Bom dia! Como vai? Os barões se encontram?- a voz dele é bonita!
__Sim, estão. Quem é você?
__Antonio Bomfim.- ele oferece a mão, ainda sorrindo.
Vívian nem se liga que sua mão está molhada e cheirando a cebola, aperta a mão do homem toda prosa…
__Sei… Vou saber se eles podem atender. Só um minuto- e fecha a porta na cara dele.
__Quem?! Antonio Bomfim? Não conhecemos ninguém com esse nome!- fala Epitácio- Mande embora, deve ser cobrador!
__Perdão, senhores.- não é que o sujeitinho já está dentro da mansão?!- Não sou cobrador. Sou Antonio Bomfim, seu sobrinho-neto.- o sorriso dele se alarga enquanto se aproxima dos velhos- Sempre quis conhecê-los!
Porfírio e Epitácio se entreolham, sem entender nada. Aliás, Vívian também não entende nada…!
__Como é o negócio?!? Sobrinho-neto? Como assim?- pergunta Porfírio.
__Impossível! O Porfírio é solteiro, eu sou solteiro e nosso irmão Ludovico também era solteiro! Que conversa besta é essa, moço?- Epitácio está intrigado…

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