Capítulo 19
__Aí,Antoninho: livrei tua cara mais uma vez! Na próxima, vou te deixar se ferrar, hein!
__Como assim livrou minha cara?
__Uma garota muito louca que trabalha prá uns condes, barões, sei lá… Limpei a tua barra mais uma vez, Antoninho!
Antonio olha para a mãe e depois exclama:
__A maldita empregada dos barões! Só pode ser ela, mamãe!
__Que estória é essa, Antonio?! Tá de caso com a empregadinha dos velhotes?
__Não, Deus me livre!_ ele faz o sinal da cruz_ Acho que ela me confundiu com o Etiénne. Falou umas coisas sem nexo, que me viu no subúrbio… Meio louca essa garota!
__Isso mesmo! Ela disse que eu tava na tal mansão, conversando com os duques e tals…
__Barões, seu idiota! Os barões que podem ser nossos tios.
Etiénne dá uma risada e se joga no sofá.
__Que maluquice é essa agora?!? Tios? Barões?! Não, gente, essa foi demais! De todas as armações que vocês fizeram, essa foi a mais absurda e louca! Quem teve essa “brilhante” ideia? Você, Antoninho? Ou você, mãe?
__Não é armação. Dessa vez, não._ diz Dora, com um ar solene_ Sua avó teve um romance com o barão Ludovico Cordeiro da Mata. Ele deixou uma carta prá ela antes de morrer… O barão tem uma fortuna considerável. E deixou tudo prá sua avó.
Etiénne está pasmo! Tenta imaginar a cena, sua avó de rolo com um aristocrata, herdando a fortuna dele… Que bizarro isso!
__Gente, acho que vocês foram longe demais…! Esse golpe é muito absurdo! Claro que não vai dar certo!
__Já tá dando certo! Mas não é um golpe, Etiénne. É verdade. O tal barão era meu pai. A minha mãe se apaixonou por ele, viveu um romance, mas… A família dele não aceitou. Eles deram uma boa quantia prá ela sumir da vida do Ludovico…
__Grana que ela aceitou, claro._ Etiénne diz, ainda achando essa estória fantasiosa demais…
__Bem, ela… Sim, ela aceitou o dinheiro. Estava sozinha, sem ter onde morar, sem trabalho…! Aceitou e depois se arrependeu._ Dora parece muito verdadeira em sua narrativa, dá até prá ver uma lágrima no canto dos olhos…_ Mas depois de muitos anos, ela descobriu que Ludovico lhe deixou uma pequena fortuna… Ela me pediu prá procurar os barões e conversar com eles, tentar me aproximar deles.
__Prá ficar com a grana dos velhos, claro!_ essa é a única coisa certa nessa estória sem pé nem cabeça!…_ Ah, conta outra, mãe! Esse golpinho já tá muito manjado! Tem de ser muito otário prá cair numa conversa mole dessa!
__Isso não é golpe, não._ fala Antonio_ É verdade, Etiénne. O barão deixou uma fortuna prá vovó e nós temos direito à ela! A mamãe tem direito como filha. E nós, como netos.
Etiénne bem que gostaria de dar uma risada, mas a situação é tão esquisita que nem dá prá achar graça. Ele cruza os braços e encara Antonio e depois a mãe.
__Mas vocês são muito caras de pau mesmo! Inventaram essa coisa de herança, de fortuna, só prá tirar os caraminguás de dois velhinhos caducos! Se o papai estivesse aqui, aí eu queria ver se faziam tanta trapalhada!
__Quer parar de falar naquele traste?! E tem mesmo uma grana alta, viu! Muito dinheiro…em jóias, ouviu bem! E nós temos direito à elas!
__Nós não! Me exclua dessa, por favor! Até porquê, o seu preferido é o Antoninho e não eu…!
__Olha só, chega dessa conversa boba de garoto enciumado! O assunto é mais sério e muito mais importante do que a rixa de vocês dois. Eu quero reivindicar meus direitos! Quero fazer justiça à nossa família! Eu vou lutar sim por essa herança! Se não quer ajudar, não atrapalha, Etiénne.
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