Que doideira!!!!! Será o Benedito?! Vívian não está acreditando nisso! É muita loucura pra sua cabeça! Alías, ela já é meio doidinha mesmo… Vai acabar num hospício!
Agora mesmo está parada no ponto de ônibus, com o braço estendido, fazendo sinal. Pode isso?! Aqueles doidos conseguem o que querem dela! Segue viagem sem conseguir parar de pensar no que os barões disseram. Vender a mansão?… Mas quem inventaria uma coisa dessa?! E porquê? Que absurdo! Mais absurdo ainda é dizer que ela atendeu a ligação!
Vivian chega na mansão com a roupa toda amassada, os cabelos desgrenhados e soltando fogo pelas ventas! Encontra Porfírio e Epitácio resmungando, gesticulando, mais estressados do que de costume.
__Ah, finalmente você chegou!_ fala Epitácio_ Que estória é essa de que estamos vendendo a mansão?!?
__Eu não disse coisa nenhuma! A casa não é minha, não apito nada aqui, seu barão! Eu tô muito chateada com essa estória, viu!_ela joga a bolsa em cima do sofá e vai para acozinha.
__Tá, chega de frescura agora! Vem ajudar a procurar os documentos da casa, Vívian!_ Porfírio entra na cozinha e vai logo empurrando Vívian para o quintal nos fundos.
__Procurar o quê?! Calma, não empurra! Procurar o quê, meu Deus?!
__Os documentos da casa! Eu sonhei com o papai dizendo prá procurar os papéis da casa que um dia a gente vai precisar!
__Caramba, seu Porfírio! Porque não sonhou com os números da loteria?!? A gente tá devendo à Deus e o mundo!
__Para de cacarejar e ajuda a procurar os papéis lá no quartinho!_ diz Epitácio, dando uns pulinhos na frente de Vívian.
__Epa! Tá me chamando de galinha, barão?!
__Não exagera, por favor!_ o barão abre a porta do quartinho e praticamente empurra Vívian para dentro_ Vamos logo, sua molenga!
O quartinho está uma bagunça! Tem teia de aranha, poeira, um cheiro de mofo horrível… Também, pudera! Faz tempo que o bendito quartinho não vê limpeza! Ah, mas Vívian não tem culpa, não! Os barões não querem que ninguém entre e nem toque em nada…! Estranho essa coisa de procurar documento agora…
__Vamos procurar naquelas gavetas ali!_ fala Porfírio, cheio de animação.
__Mas que papel é esse, caramba? Tá dentro de envelope, pasta ou o quê?_ quer saber Vívian se sentindo a única sã no meio desses loucos…
__Um envelope antigo, grande, com letras grandes… A letra do papai, claro.
__Seu Porfírio, o senhor tem certeza que esse tal papel ainda existe? Poxa, se tá com a letra do seu pai, já deve ter virado pó!
__Engraçadinha! Abre as gavetas e procura! E depois vamos ver naquele armário.
Os dois são entusiasmo puro! Vívian quase sufoca em meio a poeira, remexe daqui, remexe dali… Nada de envelope antigo! A última gaveta está emperrada. Ela faz força para abrir e de repente, pum! Cai gaveta e ela junto! Mas de dentro da gaveta cai também uma caixinha, toda decorada com flores e corações…
__Olha, barão! Que bonitinha!_ Vívian pega a caixinha, encantada_ Parece aquelas caixinhas de música de antigamente!
__Eu não lembro disso! Você lembra, Porfírio?_ pergunta Epitácio, arrancando a caixinha das mãos de Vívian.
__Não parece com as coisas da mamãe. Será que era dela?
__Vamos saber agora!
E o barão abre a caixinha. Papéis coloridos com alguma coisa escrita…
__O que tá escrito?
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